quarta-feira, 17 de maio de 2017

Museu Nacional de Soares dos Reis recebe exposição 'A Cidade Global'



A exposição "A Cidade Global - Lisboa no Renascimento", que reconstitui a cidade em 250 peças, abre hoje no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto.

A mostra ficará patente até 27 de agosto depois de ter estado, de 23 de fevereiro a 09 de abril, no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, onde recebeu mais de 41 mil visitantes.

No começo de abril, fonte da Direção-Geral do Património Cultural indicou que as duas obras centrais da exposição, os dois quadros da "Rua dos Mercadores", regressariam a Londres, para os proprietários, a Sociedade de Antiquários da capital britânica, enquanto "O Chafariz d'el-Rey", da Coleção Berardo, vai ser exibido no Porto.

A mostra dedicada à Lisboa renascentista - que revela uma capital no apogeu da globalização da época, devido aos Descobrimentos portugueses - reúne 250 peças de pintura, escultura e artes decorativas, documentos originais de época e testemunhos diversos, entre os quais se encontram livros de registos, animais embalsamados de outros continentes, reproduções de frutos e culturas revelados com os Descobrimentos.

O quadro "A Rua Nova dos Mercadores", que os investigadores têm situado entre 1590 e 1610, está dividida em dois painéis, enquanto "O Chafariz d'El-Rei", num só painel, terá sido pintado entre 1570 e 1580.

As duas pinturas remetem para áreas vizinhas, na Lisboa dos Descobrimentos, e ambas reproduzem situações quotidianas da época.

Pintura, astrolábios, livros, porcelanas, caixas decoradas com madrepérola, rosários, tapeçarias, azulejos e mobiliário são algumas das peças que podem ser vistas nesta exposição, que inclui igualmente uma reconstituição possível da casa de Simão de Melo de Magalhães, capitão de Malaca, morador da rua Nova dos Mercadores, feita a partir dos censos sobreviventes.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Aplicação que permite aos idosos avaliar a sua forma física



Uma aplicação móvel que permite aos idosos realizar uma autoavaliação da sua mobilidade, forma física e alimentação, foi desenvolvida pelo Porto4Ageing - Centro de Excelência em Envelhecimento Ativo e Saudável, coordenado pela Universidade do Porto e pela autarquia. Esta ferramenta, denominada 'Frail Survey' (Inquérito de Fragilidade), permite ainda à população idosa verificar outros fatores como a visão, a audição e os aspetos cognitivos e psicossociais, medindo assim a sua fragilidade (que pode ser robusta, pré-frágil ou frágil), indicou o gestor do projeto, Elísio Costa.
Em declarações à Lusa, explicou que a medição da fragilidade é "bastante útil", visto que a sua progressão pode ser "minimizada ou retardada" com alteração de estilos de vida, nomeadamente com a adoção de bons hábitos alimentares, prática de exercício físico, manutenção de atividade intelectual e sustentação das redes sociais, entre outras.
Nesta aplicação, gratuita e disponível para 'download' a partir do dia 09 de maio, é o próprio idoso quem introduz os dados, podendo, no entanto, ser utilizada por um familiar ou um cuidador para avaliar a condição de fragilidade dos indivíduos em causa.
De acordo com o gestor do projeto, os Censos de 2011 mostram que a população idosa portuguesa aumentou 19% na última década, o que faz "despertar uma atenção emergente" para se perceber, explicar e intervir no processo de envelhecimento.
"Sabe-se que o curso normal do envelhecimento está associado a um declínio gradual das capacidades funcionais, sendo as pessoas idosas que estão em alto risco de declínio descritas como frágeis", referiu.
Embora a fragilidade seja explicada por múltiplos modelos, "é consensual que fatores fisiológicos e psicossociais estão na sua base", referiu o responsável, acrescentando que estudos internacionais demonstram que esta condição é caracterizada por uma maior vulnerabilidade, conduzindo à incapacidade, à institucionalização, à hospitalização e à morte. Segundo Elísio Costa, esta é a primeira aplicação em língua portuguesa para avaliação da fragilidade dos idosos pelos próprios, existindo no mercado uma solução semelhante, orientada para profissionais de saúde, que não está disponível em português.
O desenvolvimento desta tecnologia surgiu no seguimento do 2016 'Pilot Twinning Support Scheme of the European Innovation Partnership on Active and Healthy Ageing', que financia a cooperação entre Sítios de Referência Europeus, de forma a estes partilharem boas práticas e incrementarem-nas em outras regiões a nível europeu.
Este projeto permitiu a adaptação de uma prática desenvolvida pelo Reference Site DEP - Lazio Regional Health Service de Roma (Itália), na qual os idosos com mais de 80 anos são monitorizados, tendo como ponto de partida a avaliação da fragilidade através de um questionário 'online'.
Esta tecnologia vai ser apresentada durante o primeiro 'Open Day' do Porto4Ageing, no dia 09 de maio, evento que vai decorrer no complexo do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (ICBAS/FFUP), contando com a participação de diversos parceiros.
Esta iniciativa, indicou Elísio Costa, visa colocar as instituições que constituem o consórcio a pensar em conjunto sobre soluções e produtos que possam promover a qualidade de vida e um envelhecimento ativo e saudável na região.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Escolorose Lateral Amiotrófica



O que é ELA?
O primeiro passo para você conhecer melhor a esclerose lateral amiotrófica, e principalmente entender seus mecanismos e forma de atuação, é saber o que significa. E não esqueça: a qualidade de informação é a principal ferramenta para se conviver com esse tipo de doença.

O que significa ELA?
ELA é a abreviatura de Esclerose Lateral Amiotrófica, uma doença cujo significado vem contido no próprio nome:

Esclerose significa endurecimento e cicatrização.

Lateral refere-se ao endurecimento da porção lateral da medula espinhal.

E amiotrófica é a fraqueza que resulta na atrofia do músculo. Ou seja, o volume real do tecido muscular diminui.

Dessa forma, Esclerose Lateral Amiotrófica significa fraqueza muscular secundária por comprometimento dos neurônios motores.

Qual a característica principal da esclerose lateral amiotrófica?
A degeneração progressiva dos neurônios motores no cérebro (neurônios motores superiores) e na medula espinhal (neurônios motores inferiores), ou seja, estes neurônios perdem sua capacidade de funcionar

O que essa degeneração provoca?
Quando os neurônios motores não podem mais enviar impulsos para os músculos, começa a ocorrer uma atrofia muscular, seguida de fraqueza muscular crescente. No caso da ELA, compromete o 1º neurônio superior e o 2º neurônio inferior.

Quais são as partes do corpo que a doença não afeta?
O raciocínio intelectual, a visão, a audição, o paladar, o olfato e o tato. Na maioria dos casos, a esclerose lateral amiotrófic Quem tem mais probabilidade de desenvolver ELA?a não afeta as funções sexual, intestinal e vesical.

  Quanto tempo, em média, leva para se fazer um diagnóstico correto da doença?

Atualmente, levam-se de 10 a 11 meses, do primeiro sintoma à confirmação do diagnóstico. A falta de conhecimento faz com que o paciente procure primeiro um ortopedista. Para se ter uma idéia, nesse espaço de tempo (de 10 a 11 meses) o paciente passa, em média, por 4 médicos; dois deles, ortopedistas.



Sintomas ELA



Qual é o primeiro sintoma que caracteriza a ELA?

A fraqueza muscular.

      Existem outros sintomas que acompanham a fraqueza?

Sim. São eles: fasciculação (tremor do músculo), reflexos exaltados, atrofia, espasticidade e diminuição da sensibilidade. E de todos os sintomas, o mais freqüente é a cãibra.

Como a ELA começa a se manifestar?

Geralmente, a ELA começa pelos membros superiores; eventualmente, pelos membros inferiores.

Quais são os fatores de risco para alguém desenvolver ELA?

Os fatores de risco, com efeito cumulativo (quanto mais características, maior a probabilidade) são: pertencer ao sexo masculino, desempenhar atividade física intensa, ter sofrido algum tipo de trauma mecânico, ter sido vítima de choque elétrico.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Alimentos que ajudam a combaterem a enxaqueca



A alimentação pode ser a forma mais eficaz de prevenir e até tratar a enxaqueca. A enxaqueca é considerada uma doença caraterizada por episódios de dor muito intensos que surgem de forma intervalada com períodos sem sintomas e dor.
A alimentação assume-se como uma das possíveis causas da enxaqueca (podendo mesmo agravar os sintomas), mas destaca-se também como um escudo protetor eficaz e até mesmo uma das melhores formas de combater esta doença.
Como lhe contámos aqui, é possível prevenir o aparecimento de dores de cabeça intensas apostando em alimentos como os vegetais de folha verde escura, o salmão, as nozes, as sementes e ainda os grãos integrais.
De acordo com a médica Keri Glassman, existem cinco ‘aliados’ no combate à enxaqueca e um deles é o gengibre devido à capacidade de bloquear a prostaglandina, um neurotransmissor que desencadeia processos inflamatórios. Por ser rica em ácidos gordos ómega 3 (que possuem também um lado anti-inflamatório potente), a cavala é um outro alimento a ter em conta, especialmente nos dias em que as dores de cabeça estão impossíveis de suportar. Já que pretende começar a combater a enxaqueca assim que se acorda, nada como o iogurte grego ou um prato de ovos mexidos. E por falar em minerais, um dos mais importantes para o alívio da enxaqueca é o magnésio, capaz de atenuar as dores em 42.1% diz a especialista, destacando o espinafre entre as escolhas mais certeiras.
Por fim, mas não menos importante, está o consumo de melancia, um dos frutos que mais promove a hidratação. Sim, a desidratação pode também desencadear e agravar a enxaqueca.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Legumes biológicos em hortas caseiras podem funcionar como vacinas



O especialista espanhol em agricultura biológica Mariano Bueno defendeu hoje a criação de hortas caseiras ou a participação em hortas urbanas, já que os legumes "adaptam-se" à poluição e podem funcionar como "vacinas"."Defendo hortas em casa ou perto de casa, porque a poluição do ambiente é mais 'saudável', já que uma planta que cresce num determinado sítio vê-se submetida ao frio, também a compostos tóxicos ambientais e para sobreviver fabrica polifenóis. O aumento da asma e alergias na sociedade atual é por pouco contacto com a natureza e com a terra e por não comermos plantas e legumes que cresçam perto de onde vivemos", explicou Mariano Bueno, em declarações aos jornalistas na Escola Básica n.º 1, em Lisboa.
Para o especialista, "os legumes plantados no ambiente poluído em que vivemos podem tornar-se vacinas", já que as plantas vão ter de se proteger desses componentes químicos que andam no ar.
"Se tudo o que comemos vem esterilizado, é produzido em estufa, vem embalado, o corpo não vai ser 'contaminado' e aquele alimento não vai fazer nada. Por seu turno, aqueles que crescem no ambiente em que vives vão-te proteger", sublinhou Mariano Bueno.
Mariano Bueno explicou ainda que um tomateiro que cresce ao ar livre "tem mais sabor porque tem de se defender enquanto um tomate de estufa, de temperatura controlada, rega controlada, não tem sabor porque não teve de defender-se de nada: estamos a descobrir que os aromas e os sabores das plantas são os mecanismos de proteção".
O especialista europeu em agricultura biológica participou hoje num 'workshop' na Escola Básica n.º 1 de Lisboa, onde ensinou crianças entre os seis e 10 anos a fazer um vaso hidropónico caseiro com um garrafão de água de cinco litros, entre muitos outros truques.
Henrique, de 10 anos, disse à Lusa que hoje aprendeu muitas coisas: como fazer uma horta na garrafa, a fazer produtos 'pesticidas' naturais para matar os bichos. Na horta biológica que os pais têm no Alentejo vai dizer o que têm de fazer.
Também Maria explicou que agora já sabe fazer um 'pesticida natural' com água e iogurte para controlar os fungos dos legumes e das plantas e ficou também a saber que a melhor forma de se ver livre das lesmas numa horta é colocar tacinhas com cerveja para que estas durante a noite, atraídas pelo cheiro, se afoguem.
Mariano Bueno não come nem carne, nem peixe, há 42 anos. Desde os 17 que é vegetariano por problemas de saúde. Aos 18 foi para França onde aprendeu o que precisava para dar os primeiros passos na agricultura biológica. Reconhece que se seguiram "anos duros" pela "incompreensão" do que fazia.
"Depois consegui, com o passar dos anos, demonstrar que era possível cultivar sem recorrer a químicos, mas antes de uma forma natural, recuperando formas ancestrais de fazer agricultura, voltar ao estrume dos animais, ver as luas, por exemplo", lembrou.

Mariano Bueno avançou que existem atualmente movimentos médicos e científicos, designados por horto terapia, que revelam que grande parte dos problemas de saúde "tem a ver com o facto de nos desenraizarmos da terra e de nos desvincularmos das nossas raízes, já que somos seres biológicos".

Com várias obras publicadas sobre agricultura biológica, alimentação biológica ou hortas ecológicas, Mariano Bueno lançou agora em Portugal o livro "A Horta-Jardim Biológica", juntamente com Jesús Arnau, no qual ensina várias formas de fazer uma horta-jardim e os seus benefícios para a saúde.

No livro explica também as flores comestíveis e que, apesar de algumas serem tóxicas, é preciso ingerir uma grande quantidade para que façam mal ao organismo: "o importante é comer cru, quer seja para as plantas medicinais, flores comestíveis ou hortaliças. Há que processá-las o menos possível, quanto muito escaldar será o suficiente para 'matar' qualquer bicho".