sexta-feira, 21 de abril de 2017

Alimentos que ajudam a combaterem a enxaqueca



A alimentação pode ser a forma mais eficaz de prevenir e até tratar a enxaqueca. A enxaqueca é considerada uma doença caraterizada por episódios de dor muito intensos que surgem de forma intervalada com períodos sem sintomas e dor.
A alimentação assume-se como uma das possíveis causas da enxaqueca (podendo mesmo agravar os sintomas), mas destaca-se também como um escudo protetor eficaz e até mesmo uma das melhores formas de combater esta doença.
Como lhe contámos aqui, é possível prevenir o aparecimento de dores de cabeça intensas apostando em alimentos como os vegetais de folha verde escura, o salmão, as nozes, as sementes e ainda os grãos integrais.
De acordo com a médica Keri Glassman, existem cinco ‘aliados’ no combate à enxaqueca e um deles é o gengibre devido à capacidade de bloquear a prostaglandina, um neurotransmissor que desencadeia processos inflamatórios. Por ser rica em ácidos gordos ómega 3 (que possuem também um lado anti-inflamatório potente), a cavala é um outro alimento a ter em conta, especialmente nos dias em que as dores de cabeça estão impossíveis de suportar. Já que pretende começar a combater a enxaqueca assim que se acorda, nada como o iogurte grego ou um prato de ovos mexidos. E por falar em minerais, um dos mais importantes para o alívio da enxaqueca é o magnésio, capaz de atenuar as dores em 42.1% diz a especialista, destacando o espinafre entre as escolhas mais certeiras.
Por fim, mas não menos importante, está o consumo de melancia, um dos frutos que mais promove a hidratação. Sim, a desidratação pode também desencadear e agravar a enxaqueca.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Legumes biológicos em hortas caseiras podem funcionar como vacinas



O especialista espanhol em agricultura biológica Mariano Bueno defendeu hoje a criação de hortas caseiras ou a participação em hortas urbanas, já que os legumes "adaptam-se" à poluição e podem funcionar como "vacinas"."Defendo hortas em casa ou perto de casa, porque a poluição do ambiente é mais 'saudável', já que uma planta que cresce num determinado sítio vê-se submetida ao frio, também a compostos tóxicos ambientais e para sobreviver fabrica polifenóis. O aumento da asma e alergias na sociedade atual é por pouco contacto com a natureza e com a terra e por não comermos plantas e legumes que cresçam perto de onde vivemos", explicou Mariano Bueno, em declarações aos jornalistas na Escola Básica n.º 1, em Lisboa.
Para o especialista, "os legumes plantados no ambiente poluído em que vivemos podem tornar-se vacinas", já que as plantas vão ter de se proteger desses componentes químicos que andam no ar.
"Se tudo o que comemos vem esterilizado, é produzido em estufa, vem embalado, o corpo não vai ser 'contaminado' e aquele alimento não vai fazer nada. Por seu turno, aqueles que crescem no ambiente em que vives vão-te proteger", sublinhou Mariano Bueno.
Mariano Bueno explicou ainda que um tomateiro que cresce ao ar livre "tem mais sabor porque tem de se defender enquanto um tomate de estufa, de temperatura controlada, rega controlada, não tem sabor porque não teve de defender-se de nada: estamos a descobrir que os aromas e os sabores das plantas são os mecanismos de proteção".
O especialista europeu em agricultura biológica participou hoje num 'workshop' na Escola Básica n.º 1 de Lisboa, onde ensinou crianças entre os seis e 10 anos a fazer um vaso hidropónico caseiro com um garrafão de água de cinco litros, entre muitos outros truques.
Henrique, de 10 anos, disse à Lusa que hoje aprendeu muitas coisas: como fazer uma horta na garrafa, a fazer produtos 'pesticidas' naturais para matar os bichos. Na horta biológica que os pais têm no Alentejo vai dizer o que têm de fazer.
Também Maria explicou que agora já sabe fazer um 'pesticida natural' com água e iogurte para controlar os fungos dos legumes e das plantas e ficou também a saber que a melhor forma de se ver livre das lesmas numa horta é colocar tacinhas com cerveja para que estas durante a noite, atraídas pelo cheiro, se afoguem.
Mariano Bueno não come nem carne, nem peixe, há 42 anos. Desde os 17 que é vegetariano por problemas de saúde. Aos 18 foi para França onde aprendeu o que precisava para dar os primeiros passos na agricultura biológica. Reconhece que se seguiram "anos duros" pela "incompreensão" do que fazia.
"Depois consegui, com o passar dos anos, demonstrar que era possível cultivar sem recorrer a químicos, mas antes de uma forma natural, recuperando formas ancestrais de fazer agricultura, voltar ao estrume dos animais, ver as luas, por exemplo", lembrou.

Mariano Bueno avançou que existem atualmente movimentos médicos e científicos, designados por horto terapia, que revelam que grande parte dos problemas de saúde "tem a ver com o facto de nos desenraizarmos da terra e de nos desvincularmos das nossas raízes, já que somos seres biológicos".

Com várias obras publicadas sobre agricultura biológica, alimentação biológica ou hortas ecológicas, Mariano Bueno lançou agora em Portugal o livro "A Horta-Jardim Biológica", juntamente com Jesús Arnau, no qual ensina várias formas de fazer uma horta-jardim e os seus benefícios para a saúde.

No livro explica também as flores comestíveis e que, apesar de algumas serem tóxicas, é preciso ingerir uma grande quantidade para que façam mal ao organismo: "o importante é comer cru, quer seja para as plantas medicinais, flores comestíveis ou hortaliças. Há que processá-las o menos possível, quanto muito escaldar será o suficiente para 'matar' qualquer bicho".

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Surto de Sarampo em Portugal



O sarampo está de volta a Portugal. Conheça as principais questões e respetivas respostas associadas à doença. O sarampo chegou a ser dado como extinto em Portugal pela Organização Mundial da Saúde, mas agora a Direção Geral da Saúde (DGS) fala num surto em Portugal. Há atualmente 11 casos de sarampo confirmados pelo Instituto Ricardo Jorge, e outros 12 ainda em fase de investigação.
Desde janeiro deste ano foram notificados 23 casos, número que ultrapassa os da última década, segundo dados de vários relatórios da DGS. Os poucos casos registados em Portugal nos últimos anos foram contraídos noutros países.
Como se transmite o sarampo?
O sarampo é uma doença viral contagiosa. Transmite-se de pessoa para pessoa através de gotículas de saliva em suspensão, pelo que pode transmitir-se ao falar, tossir ou espirrar.
Quais os sintomas?
Começa com febre alta (entre 39 e 40 graus), tosse seca, congestão nasal, espirros, dor de garganta, olhos inflamados e lacrimejantes.
Seguem-se erupções na pele – inicialmente no rosto e pescoço, que de depois de espalham para o tronco, braços e pernas. As marcas são acompanhadas de prurido e podem ficar maiores ao longo de uma semana.
Podem também surgir pequenas manchas brancas (manchas de Koplik) na boca.
Tenho de levar o meu filho ao médico?
Não existe nenhum tratamento específico para o sarampo. Geralmente recomenda-se repouso, paracetamol para baixar a febre, banhos de água morna e uma loção à base de calamina para aliviar a comichão.
As crianças com menos de três anos e febres superiores a 39ºC devem ser vistas por um médico.
O sarampo pode matar?
A grande maioria dos casos evolui favoravelmente, mas em situações mais graves o quadro clínico pode evoluir para pneumonia ou até para encefalite, o que pode causar lesão permanente do cérebro ou até levar à morte.
A doença é mais grave nos adultos?
Nos adultos, a doença tende a ser mais grave. Os doentes mais velhos podem necessitar de tratamento em regime de internamento hospitalar. Durante a gravidez o sarampo aumenta o risco de aborto ou de parto prematuro.
Quando se deve tomar a vacina?
Segundo o Programa Nacional de Vacinação em vigor, as crianças devem tomar uma primeira dose aos 12 meses e uma segunda entre os cinco e os seis anos de idade.
Sou obrigado a vacinar o meu filho?
A melhor forma de prevenir o sarampo é através da vacinação. A vacina (VASPR) é gratuita, mas não obrigatória. Apenas quando está iminente um risco para a saúde pública é que a lei prevê que a vacinação seja obrigatória.
Em caso de recusa, os pais têm de assinar um termo de responsabilidade e esta informação é registada na ficha da criança.
Porque é que há pais que não vacinam os filhos?
Por temer que possam existir riscos associados à administração de vacinas, existem pais que optam por não vacinar os filhos. A Direção-Geral de Saúde divulgou, no sentido de tranquilizar os pais, um documento que desmistifica várias ideias erradas associadas à vacinação.



quarta-feira, 12 de abril de 2017

João Canijo lança novo filme intitulado «Fátima»



João Canijo queria filmar a relação de grupo entre mulheres e o pretexto foi uma peregrinação a pé a Fátima, "a ideia mais portuguesa das ideias portuguesas", como contou à agência Lusa, a propósito da próxima longa-metragem.
'Fátima', que se estreia no próximo dia 27, é um filme de ficção, inspirado na realidade portuguesa, interpretado por onze atrizes que acompanharam várias peregrinações e a vida de uma localidade transmontana, para depois construírem as personagens.
É de Vinhais, no distrito de Bragança, que parte a narrativa do filme e também a peregrinação mais longa até Fátima, com mais de 400 quilómetros.
"Não começou por ser um filme sobre a crença, mas sobre as relações de grupo. E as relações de grupo entre mulheres parecem-me muito mais interessantes do que com homens à mistura", explicou João Canijo.
No filme participam as atrizes Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Vera Barreto, Teresa Madruga, Ana Bustorff, Teresa Tavares, Alexandra Rosa, Íris Macedo, Sara Norte e Márcia Breia.
O realizador, que já trabalhou com grande parte destas atrizes em filmes como 'Sapatos Pretos' (1998), 'Mal nascida' (2007) e 'Sangue do meu sangue' (2011), quis ainda filmar a relação de cada uma das mulheres com a fé.

"A necessidade da fé, a necessidade que a Humanidade tem de algum tipo de fé. Não é forçosamente a católica, a Humanidade sempre teve essa necessidade de acreditar em algo transcendente e isso foi uma coisa que me interessou muito, perceber porquê. Não pretendo explicá-lo, mas perceber até onde é que isso pode levar as pessoas", disse o realizador.

Para este filme, João Canijo fez ele próprio uma viagem a pá a Fátima, mais curta - de 80 quilómetros -, para perceber o que sente e sofre quem faz esta peregrinação.

Apesar de 'Fátima' ter uma base documental, o realizador alerta: "Foi tudo absolutamente estudado". Embora não tenham feito os 400 quilómetros da peregrinação, as atrizes "andaram durante cinco dias sempre juntas e foram filmadas o tempo todo", incluindo a chegada, a 12 de maio, ao santuário de Fátima.

"Portanto, confunde-se, como em tudo, o personagem com a 'persona', mas isso é sempre assim. Os atores nunca saem de si próprios, não se transformam em mais ninguém. E essa confusão também me agrada bastante", disse.

Anabela Moreira explicou à Lusa que a preparação para este filme teve várias fases. As atrizes acompanharam várias peregrinações e também falaram sobre a relação delas próprias com a fé. Só depois é que trabalharam no argumento com base nessa informação toda.

"O João fala sempre: 'Não é mimetização é deixar contagiar. Não tentas imitar nada'. Houve uma dificuldade acrescida, que foi o sotaque. Tentar ser contagiado por aquela forma de estar, de ver o mundo, de pensar sobre deus, sobre a vida, sobre as pessoas sobre o comportamento da mulher e do homem", recordou a atriz.
No caso de Anabela Moreira, a criação da personagem implicou trabalhar num supermercado e no campo, a cuidar de porcos e vacas.
"É um privilégio poder trabalhar assim. Em vez de estar a trabalhar sobre a imaginação, ganhas memórias reais daquela outra vida no dia-a-dia. Acabas mesmo por viver aquilo. Aquilo foi parte da minha vida", disse.
Antes de chegar aos cinemas, 'Fátima' será mostrado em antestreia em Vinhais.
No final do ano deverá estrear-se na RTP uma série baseada na rodagem e que, segundo João Canijo, tem mais desenvolvimentos ficcionais de cada uma das personagens.