Médicos realizaram a
primeira estimulação cerebral profunda a uma doente com distonia, doença que
provoca movimentos involuntários e que pode ser incapacitante
O Hospital
de Santo António, no Porto, anunciou ter realizado a sua primeira cirurgia de
estimulação cerebral profunda a uma doente que sofre de distonia, doença que
provoca movimentos involuntários e que, em casos extremos, é totalmente
incapacitante.
Segundo o
neurologista da unidade de saúde, Alexandre Mendes, «este tipo de cirurgia
permite melhorar consideravelmente a qualidade de vida dos doentes que sofrem
desta patologia, designadamente pacientes com tipos de distonia incapacitantes
e sem melhoria com a terapêutica medicamentosa.
A doente
sujeita a esta cirurgia, com cerca de 40 anos, tem marcada dificuldade em
realizar actividades do quotidiano, como por exemplo comer ou beber, e muitas
dificuldades nas tarefas profissionais, que esperamos poder melhorar de forma
significativa com esta cirurgia», referiu o especialista.
Alexandre
Mendes explicou que a cirurgia consiste na implantação de «um dispositivo
neuroestimulador que permite a estimulação eléctrica de estruturas bem
definidas do cérebro. Para o tratamento da distonia são estimulados os núcleos
que se localizam numa zona profunda de cada um dos hemisférios cerebrais e que
participam no controlo da função motora».
A distonia é
uma doença do foro neurológico, crónica e incapacitante, que se caracteriza por
contracções musculares involuntárias que causam movimentos espasmódicos e
posturas anormais.
Pode afectar
qualquer parte do corpo, designadamente pernas, braços, tronco, pescoço, face e
cordas vocais. Algumas das formas de distonia são muito incapacitantes, podendo
tornar o doente dependente de ajuda para as actividades diárias.
A primeira
cirurgia realizada em Portugal a um doente com distonia foi efectuada, no
Hospital de S. João, no Porto, em Dezembro de 2005.
A nível
mundial, estas intervenções cirúrgicas iniciaram-se em 2000.
Apesar de
não existirem dados concretos, estima-se que surjam anualmente dez novos casos
desta doença em Portugal.
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