quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Por que razão alguns pais dizem não à vacinação?



O continente europeu está a enfrentar o pior surto de sarampo dos últimas décadas. Por trás do aumento de casos desta doença na Europa estão as falhas nos programas de imunização, além da pouca cobertura de grupos marginalizados, mas há também pais que estão a dizer ‘não’ - erradamente – à vacinação.
De acordo com os especialistas, o movimento antivacina é, em parte, responsável pelo surto de sarampo na Europa. Os 53 países da região, registaram 21.315 casos de sarampo em 2017 – 35 deles resultaram em morte.
Nos Estados Unidos e na Europa o movimento é relativamente forte, muito porque a vacinação é feita em clínicas privadas e fica a cargo dos pais, o que de certa forma retira da equação os agentes de saúde e o seu trabalho de consciencialização. Nos Estados Unidos, por exemplo, muitos dos estados não recomendam vacinas por motivos religiosos.
Elementos desses grupos ainda creem sobretudo que há uma possível ligação entre a vacina contra o sarampo e o desenvolvimento do autismo - hipótese desacreditada pela comunidade científica, há mais de 20 anos.
A Itália, onde o movimento antivacina tem ganho força nos últimos anos, foi o segundo país com o maior número de casos de sarampo na Europa em 2017.
Consequentemente, em maio do ano passado, o governo italiano determinou que as crianças de até seis anos de idade devem ser vacinadas contra 12 doenças comuns antes de serem matriculadas em escolas públicas. Caso isso não aconteça, os pais serão multados até 2.500 euros.
A Itália foi um dos países influenciado pelo estudo do britânico Andrew Wakefield, publicado na revista The Lancet, em 1998, ligava a vacina tríplice - contra sarampo, papeira e rubéola - ao desenvolvimento de autismo em crianças.
Acontece que o estudo, que usava apenas uma amostra de 12 crianças, foi considerado fraudulento e arrasado pela comunidade médica e científica.
Uma investigação jornalística descobriu que Wakefield, tinha falsificado dados clínicos em troca de dinheiro dos advogados dos pais dessas crianças. O Conselho Médico Geral britânico considerou que Andrew Wakefield agiu de forma antiética e desonesta e proibiu-o de exercer.
O norte-americano Jeffrey Bradstreet foi outro médico que promoveu o movimento antivacinação. Bradstreet relacionou todas as vacinas ao autismo, alegando que o problema estava na toxicidade do mercúrio. Mas a teoria, tal como a de Wakefield, também foi arrasada pela comunidade científica. O médico suicidou-se em 2015.
Em 2017, Portugal teve dois surtos simultâneos de sarampo (num total de 29 casos), que chegaram a provocar a morte de uma jovem de 17 anos.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

ARCOmadrid abre hoje com 15 galerias de Portugal e 15 do Brasil



A Feira de Arte Contemporânea ARCOmadrid, que tem o futuro como tema, este ano, começa hoje e continua até domingo, com a participação de 15 galerias de Portugal e outras 15 do Brasil. O certame, organizado pela Feira de Madrid (IFEMA), irá receber um total de 208 galerias de 29 países, com artistas de todo o mundo.
De acordo com o diretor da feira, Carlos Urroz, a maioria das galerias portuguesas está incluída no programa geral: 3+1 Arte Contemporânea, Vera Cortês, Baginski Galeria/Projectos, Caroline Pagés, Cristina Guerra Contemporary Art, Filomena Soares, Bruno Murias, e Pedro Cera, de Lisboa, e, do Porto, Pedro Oliveira, Nuno Centeno e Quadrado Azul, esta última também com sede na capital.
No programa Opening, comissariado por Stefanie Hessler e Ilaria Gianni, centrado em galerias com um máximo de sete anos, também contará com as galerias de Francisco Fino, Madragoa e Pedro Alfacinha, provenientes de Lisboa.
Por seu turno, em Diálogos, cuja seleção ficou a cargo de Maria de Corral, Lorena Martínez de Corral e Catalina Lozano, estará presente a galeria Graça Brandão, de Lisboa.
A esta presença das galerias portuguesas juntar-se-ão galerias de Madrid e de Roma que também têm sede em Lisboa, nomeadamente a Maisterravalbuena e a Monitor, segundo a organização. O Brasil irá aumentar a sua presença na ARCOmadrid, de 13 galerias, no ano passado, para 15 em 2018. A presença brasileira conta com a Gentil Carioca, Anita Schwartz Galeria de Arte, Athena Contemporânea, Baró Galeria, Casa Triângulo, Cavalo, DAN Galeria, Fortes D´Aloia & Gabriel, Jaqueline Martins, Luciana Brito Galeria, Luisa Strina, Marilia Razuk, Nara Roesler, Raquel Arnaud e Vemelho.
Nas mesmas datas irá decorrer a Art Madrid Feira de Arte Contemporânea, em 13.ª edição, com meia centena de galerias, entre as quais as portuguesas Arte Periférica e Nuno Sacramento, segundo o certame.
Esta mostra multidisciplinar irá decorrer na Galeria de Cristal de Centro Cibeles, com galerias espanholas e estrangeiras que apresentarão propostas artísticas do século XX até à atualidade.
Entre as galerias que participam também constam as portuguesas Art Lounge e Paulo Nunes Arte Contemporânea, de acordo com a informação disponível no sítio 'online' da Art Madrid.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Festival de Guitarra de Braga apresenta-se este ano numa "fase já madura"

O Festival de Guitarra de Braga apresenta-se em 2018 numa "fase já madura" e mantém a guitarra clássica como "elemento central" dos concertos, masterclasses, 'workshops' e atividades, apresentando como novidades a "memória digital" e um prémio do público. Em declarações à Lusa, Vítor Gandarela, diretor artístico do evento, que decorre entre 15 de fevereiro e 4 de março, realçou, da programação desta quinta edição, a realização, pelo segundo ano, do Concurso Internacional de Música de Câmara com Guitarra, salientando o "elevado nível" dos participantes e o espaço além-fronteiras que a competição conquistou.
"Temos a concurso 10 nacionalidades diferentes. Isso é muito significativo. Mais ainda é de realçar a elevada qualidade dos participantes. Este ano vêm à final oito grupos selecionados por vídeo, é um nível de qualidade brutal", referiu o responsável.
Para Vítor Gandarela, a edição de 2018 do Festival de Guitarra de Braga marca um crescimento no evento: "Entrámos numa fase já madura - já são cinco anos -, consolidada, com público já conquistado. Já é quase seguro dizer que esperamos lotações esgotadas".
Mantendo a guitarra clássica como "elemento central" de toda a programação, incluindo dos seis concertos, o evento apresenta este ano, como novidades, um prémio atribuído pelo público e uma página web.
"Este ano o festival ganha memória digital. Foi criada uma página web sobre o festival, com toda a programação, história. E na página está a outra novidade, a possibilidade de o público atribuir um prémio aos finalistas do concurso internacional através de uma votação 'on-line'", revelou Vítor Gandarela.
O objetivo daquele galardão, explicou, "é envolver mais o público no festival, fazer o público participar e, claro, é mais um incentivo aos músicos a participarem, mesmo que o prémio [300 euros] não seja muito".

Outra particularidade destacada por Gandarela é o facto de os concertos que integram o cartaz do festival terem lugar em vários locais da cidade de Braga.
"Um dos objetivos desde o início era tornar este festival num acontecimento de cidade, daí haver concertos em vários sítios", explicou.
O V Festival de Guitarra de Braga abre no dia 15 com Fabio Zanon, no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, seguindo-se, no dia 16, Gary Ryan.
No dia 23 o festival passa para o Museu dos Biscainhos, com Música Portuguesa a subir ao palco, e no dia 24, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, apresenta-se o Duo Baumbach.

Enrike Solins & David - Mayoral apresentam-se a 3 de março, na Igreja da Misericórdia, e o Festival de Guitarra de Braga encerra a 4 de março com o Duo Kontaxakis - Ivanovich, no Auditório José Sarmento.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Morreu Natália Nunes, autora do romance 'Assembleia de Mulheres'





A escritora Natália Nunes, autora dos romances 'Regresso ao Caos' e 'Assembleia de Mulheres', morreu hoje, na Ericeira, aos 96 anos, disse sua filha à agência Lusa. Nascida em Lisboa, a 18 de novembro de 1921, destacou-se nas letras, através de romances como 'Autobiografia de Uma Mulher Romântica' e 'Vénus turbulenta', mas também como dramaturga e ensaísta, e construiu uma das mais vastas obras, como contista, na literatura portuguesa, com títulos como 'Ao Menos um Hipopótamo', 'As Velhas Senhoras', 'Louca por Sapatos'.
Resistente antifascista, durante os anos de ditadura, membro da direção da Sociedade Portuguesa de Escritores, encerrada pela PIDE, polícia política do regime, em 1965, era "considerada unanimemente uma das jovens mais bonitas da capital", como a definiu o seu marido, o escritor e pedagogo Rómulo de Carvalho (1906-1997), conhecido poeta António Gedeão.
Natália Nunes estreou-se na literatura em 1952, com 'Horas vivas: Memórias da Minha Infância', a que se sucedeu 'Autobiografia de uma Mulher Romântica' (1955). Vivia então em Coimbra, onde fez o curso de Bibliotecária-Arquivista (1956), depois da licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas (1948), na Universidade de Lisboa.
No primeiro livro, 'Horas Vivas', a escritora "reflete o ambiente quase medieval, dessa altura, na Beira Alta, onde fez a maior parte da instrução primária", destaca a Plataforma Escritores Online, do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Universidade de Lisboa.
A partir de então, a escrita esteve sempre presente na sua vida, a par do trabalho nas Bibliotecas da Ajuda e Nacional, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e na Escola Superior de Belas-Artes, como bibliotecária e conservadora.
Da sua obra destacam-se 'A Mosca Verde e Outros Contos' (1957), 'Regresso ao Caos' (1960), 'Assembleia de Mulheres' (1964), 'O Caso de Zulmira L.' (1967), 'A Nuvem. Estória de Amor' (1970), 'Da Natureza das Coisas' (1985), 'As Velhas Senhoras e Outros Contos' (1992), 'Louca por Sapato' (1996). 'Vénus Turbulenta', o seu último romance, data de 1997.
Em memórias, além do livro inicial, contam-se 'Uma portuguesa em Paris' (1956) e 'Memórias da Escola Antiga' (1981). É autora da peça de teatro 'Cabeça de Abóbora' (1970).
A obra de ficção disponível da escritora está publicada na editora Relógio d'Água.
Publicou 'A Ressurreição das Florestas, Estudos sobre a obra de ficção de Carlos Oliveira', pela Imprensa Nacional Casa da Moeda.
No ensaio, Natália Nunes escreveu ainda sobre Dostoievski, Raul Brandão, Augusto Abelaira, José Cardoso Pires, entre outros autores, sobretudo para as revistas Vértice e Seara Nova.
Traduziu Dostoievsky, Tolstoi, Simonov, Elsa Triolet, Violette Leduc, Balzac e Roger Portal, para editoras como a Portugália, Edições Cosmos e Edições Aguilar, do Rio de Janeiro.

O Dicionário de Literatura Portuguesa, coordenado por Álvaro Manuel Machado destaca, em Natália Nunes, o "sentido do intimismo e do confessional, do mistério e da solidão, herdado em grande parte da geração presencista", a que juntou a "temática feminina e de intervenção social", próxima do neorrealismo.

A pedido do marido, completou as 'Memórias' do escritor, incluindo a data da sua morte, em fevereiro de 1997. "Não te digo adeus, a minha alma estará sempre contigo", escreveu, no termo da obra.

Natália Nunes era mãe da escritora Cristina Carvalho, autora de 'O Olhar e a Alma', prémio Autores 2016.

Numa entrevista à Página da Educação, Natália Nunes confessou: "Nós temos projetos que nunca se realizam, porque vêm outros que nos exigem mais ou porque a vida não deixa. A vida não nos deixa fazer muitas coisas".

O corpo da escritora vai estar hoje, a partir das 16h00, na capela mortuária da Igreja de Santo Condestável, em Lisboa.

O funeral realiza-se na quarta-feira, a partir das 16h00, para o Cemitério dos Olivais, onde será cremada.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Televisões da Samsung são vulneráveis a hackers



O Consumer Reports apontou ainda falhas de segurança às box de televisão Roku. Uma investigação levada a cabo pelo Consumer Reports aponta falhas de segurança às televisões inteligentes da Samsung e às boxes da Roku, indicando que podem ser facilmente invadidas por hackers.
Uma vez feita a invasão remotamente, os hackers podem alterar os canais e volume, instalar aplicações e até reproduzir conteúdo inapropriado através de ditas aplicações. Felizmente parece que as falhas de segurança não permitem aos hackers roubar informações pessoais.
“As televisões inteligentes da Samsung tentam assegurar que apenas aplicações autorizadas podem controlar a televisão. Infelizmente, o mecanismo que usam para garantir que as aplicações foram previamente autorizadas é defeituoso. É como se uma porta que abrisses nunca mais se fechasse”, escreve um engenheiro da Disconnect, Eason Goodale.