O continente europeu está a enfrentar o pior surto de
sarampo dos últimas décadas. Por trás do aumento de casos desta doença na
Europa estão as falhas nos programas de imunização, além da pouca cobertura de
grupos marginalizados, mas há também pais que estão a dizer ‘não’ - erradamente
– à vacinação.
De acordo com os especialistas, o movimento antivacina é, em
parte, responsável pelo surto de sarampo na Europa. Os 53 países da região,
registaram 21.315 casos de sarampo em 2017 – 35 deles resultaram em morte.
Nos Estados Unidos e na Europa o movimento é relativamente
forte, muito porque a vacinação é feita em clínicas privadas e fica a cargo dos
pais, o que de certa forma retira da equação os agentes de saúde e o seu
trabalho de consciencialização. Nos Estados Unidos, por exemplo, muitos dos
estados não recomendam vacinas por motivos religiosos.
Elementos desses grupos ainda creem sobretudo que há uma
possível ligação entre a vacina contra o sarampo e o desenvolvimento do autismo
- hipótese desacreditada pela comunidade científica, há mais de 20 anos.
A Itália, onde o movimento antivacina tem ganho força nos
últimos anos, foi o segundo país com o maior número de casos de sarampo na
Europa em 2017.
Consequentemente, em maio do ano passado, o governo italiano
determinou que as crianças de até seis anos de idade devem ser vacinadas contra
12 doenças comuns antes de serem matriculadas em escolas públicas. Caso isso
não aconteça, os pais serão multados até 2.500 euros.
A Itália foi um dos países influenciado pelo estudo do
britânico Andrew Wakefield, publicado na revista The Lancet, em 1998, ligava a
vacina tríplice - contra sarampo, papeira e rubéola - ao desenvolvimento de
autismo em crianças.
Acontece que o estudo, que usava apenas uma amostra de 12
crianças, foi considerado fraudulento e arrasado pela comunidade médica e
científica.
Uma investigação jornalística descobriu que Wakefield, tinha
falsificado dados clínicos em troca de dinheiro dos advogados dos pais dessas
crianças. O Conselho Médico Geral britânico considerou que Andrew Wakefield
agiu de forma antiética e desonesta e proibiu-o de exercer.
O norte-americano Jeffrey Bradstreet foi outro médico que
promoveu o movimento antivacinação. Bradstreet relacionou todas as vacinas ao
autismo, alegando que o problema estava na toxicidade do mercúrio. Mas a
teoria, tal como a de Wakefield, também foi arrasada pela comunidade
científica. O médico suicidou-se em 2015.
Em 2017, Portugal teve dois surtos simultâneos de sarampo
(num total de 29 casos), que chegaram a provocar a morte de uma jovem de 17
anos.





