quarta-feira, 19 de abril de 2017

Surto de Sarampo em Portugal



O sarampo está de volta a Portugal. Conheça as principais questões e respetivas respostas associadas à doença. O sarampo chegou a ser dado como extinto em Portugal pela Organização Mundial da Saúde, mas agora a Direção Geral da Saúde (DGS) fala num surto em Portugal. Há atualmente 11 casos de sarampo confirmados pelo Instituto Ricardo Jorge, e outros 12 ainda em fase de investigação.
Desde janeiro deste ano foram notificados 23 casos, número que ultrapassa os da última década, segundo dados de vários relatórios da DGS. Os poucos casos registados em Portugal nos últimos anos foram contraídos noutros países.
Como se transmite o sarampo?
O sarampo é uma doença viral contagiosa. Transmite-se de pessoa para pessoa através de gotículas de saliva em suspensão, pelo que pode transmitir-se ao falar, tossir ou espirrar.
Quais os sintomas?
Começa com febre alta (entre 39 e 40 graus), tosse seca, congestão nasal, espirros, dor de garganta, olhos inflamados e lacrimejantes.
Seguem-se erupções na pele – inicialmente no rosto e pescoço, que de depois de espalham para o tronco, braços e pernas. As marcas são acompanhadas de prurido e podem ficar maiores ao longo de uma semana.
Podem também surgir pequenas manchas brancas (manchas de Koplik) na boca.
Tenho de levar o meu filho ao médico?
Não existe nenhum tratamento específico para o sarampo. Geralmente recomenda-se repouso, paracetamol para baixar a febre, banhos de água morna e uma loção à base de calamina para aliviar a comichão.
As crianças com menos de três anos e febres superiores a 39ºC devem ser vistas por um médico.
O sarampo pode matar?
A grande maioria dos casos evolui favoravelmente, mas em situações mais graves o quadro clínico pode evoluir para pneumonia ou até para encefalite, o que pode causar lesão permanente do cérebro ou até levar à morte.
A doença é mais grave nos adultos?
Nos adultos, a doença tende a ser mais grave. Os doentes mais velhos podem necessitar de tratamento em regime de internamento hospitalar. Durante a gravidez o sarampo aumenta o risco de aborto ou de parto prematuro.
Quando se deve tomar a vacina?
Segundo o Programa Nacional de Vacinação em vigor, as crianças devem tomar uma primeira dose aos 12 meses e uma segunda entre os cinco e os seis anos de idade.
Sou obrigado a vacinar o meu filho?
A melhor forma de prevenir o sarampo é através da vacinação. A vacina (VASPR) é gratuita, mas não obrigatória. Apenas quando está iminente um risco para a saúde pública é que a lei prevê que a vacinação seja obrigatória.
Em caso de recusa, os pais têm de assinar um termo de responsabilidade e esta informação é registada na ficha da criança.
Porque é que há pais que não vacinam os filhos?
Por temer que possam existir riscos associados à administração de vacinas, existem pais que optam por não vacinar os filhos. A Direção-Geral de Saúde divulgou, no sentido de tranquilizar os pais, um documento que desmistifica várias ideias erradas associadas à vacinação.



quarta-feira, 12 de abril de 2017

João Canijo lança novo filme intitulado «Fátima»



João Canijo queria filmar a relação de grupo entre mulheres e o pretexto foi uma peregrinação a pé a Fátima, "a ideia mais portuguesa das ideias portuguesas", como contou à agência Lusa, a propósito da próxima longa-metragem.
'Fátima', que se estreia no próximo dia 27, é um filme de ficção, inspirado na realidade portuguesa, interpretado por onze atrizes que acompanharam várias peregrinações e a vida de uma localidade transmontana, para depois construírem as personagens.
É de Vinhais, no distrito de Bragança, que parte a narrativa do filme e também a peregrinação mais longa até Fátima, com mais de 400 quilómetros.
"Não começou por ser um filme sobre a crença, mas sobre as relações de grupo. E as relações de grupo entre mulheres parecem-me muito mais interessantes do que com homens à mistura", explicou João Canijo.
No filme participam as atrizes Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Vera Barreto, Teresa Madruga, Ana Bustorff, Teresa Tavares, Alexandra Rosa, Íris Macedo, Sara Norte e Márcia Breia.
O realizador, que já trabalhou com grande parte destas atrizes em filmes como 'Sapatos Pretos' (1998), 'Mal nascida' (2007) e 'Sangue do meu sangue' (2011), quis ainda filmar a relação de cada uma das mulheres com a fé.

"A necessidade da fé, a necessidade que a Humanidade tem de algum tipo de fé. Não é forçosamente a católica, a Humanidade sempre teve essa necessidade de acreditar em algo transcendente e isso foi uma coisa que me interessou muito, perceber porquê. Não pretendo explicá-lo, mas perceber até onde é que isso pode levar as pessoas", disse o realizador.

Para este filme, João Canijo fez ele próprio uma viagem a pá a Fátima, mais curta - de 80 quilómetros -, para perceber o que sente e sofre quem faz esta peregrinação.

Apesar de 'Fátima' ter uma base documental, o realizador alerta: "Foi tudo absolutamente estudado". Embora não tenham feito os 400 quilómetros da peregrinação, as atrizes "andaram durante cinco dias sempre juntas e foram filmadas o tempo todo", incluindo a chegada, a 12 de maio, ao santuário de Fátima.

"Portanto, confunde-se, como em tudo, o personagem com a 'persona', mas isso é sempre assim. Os atores nunca saem de si próprios, não se transformam em mais ninguém. E essa confusão também me agrada bastante", disse.

Anabela Moreira explicou à Lusa que a preparação para este filme teve várias fases. As atrizes acompanharam várias peregrinações e também falaram sobre a relação delas próprias com a fé. Só depois é que trabalharam no argumento com base nessa informação toda.

"O João fala sempre: 'Não é mimetização é deixar contagiar. Não tentas imitar nada'. Houve uma dificuldade acrescida, que foi o sotaque. Tentar ser contagiado por aquela forma de estar, de ver o mundo, de pensar sobre deus, sobre a vida, sobre as pessoas sobre o comportamento da mulher e do homem", recordou a atriz.
No caso de Anabela Moreira, a criação da personagem implicou trabalhar num supermercado e no campo, a cuidar de porcos e vacas.
"É um privilégio poder trabalhar assim. Em vez de estar a trabalhar sobre a imaginação, ganhas memórias reais daquela outra vida no dia-a-dia. Acabas mesmo por viver aquilo. Aquilo foi parte da minha vida", disse.
Antes de chegar aos cinemas, 'Fátima' será mostrado em antestreia em Vinhais.
No final do ano deverá estrear-se na RTP uma série baseada na rodagem e que, segundo João Canijo, tem mais desenvolvimentos ficcionais de cada uma das personagens.



sexta-feira, 7 de abril de 2017

Escola de Mulheres em Lisboa acolhe peça do Teatro Língua

A peça "Pendença sem mercê de querer beber sem ter o quê" abre a programação de abril da Escola de Mulheres, sediada no Clube Estefânia, em Lisboa, e prossegue até maio com um ciclo de leituras encenadas."Pendença sem mercê de querer beber sem ter o quê" é uma produção do Teatro Língua  Associação Cultural, com encenação de Miguel Sopas e apoio dramatúrgico de Fernando Villas-Boas. A peça é uma recriação do espetáculo teatral estreado pelo Teatro Língua, em 2009, que contou com a encenação do Pranto de Maria Parda, de Gil Vicente.Fundada em 1995, a Escola de Mulheres tem o objetivo de promover e divulgar uma nova dramaturgia de temática e escrita feminina, em Portugal e no estrangeiro, com direção artística de Fernanda Lapa e Marta Lapa.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Filme 'Paula Rego, Histórias & Segredos



O filme 'Paula Rego, Histórias & Segredos', sobre a vida e obra da pintora, realizado pelo cineasta Nick Willing, filho da artista plástica, estreia-se hoje nas salas de cinema em Portugal. De acordo com a distribuidora Midas Filmes, o documentário estreia-se em Lisboa, Porto e Cascais, e será também apresentado no sábado, em simultâneo, às 19h00, em mais de uma dezena de cidades, sendo também exibido na Casa das Histórias Paula Rego.

A estreia terá lugar no Cinema Ideal, em Lisboa, no Cinema da Villa, em Cascais, e no Cinema Passos Manuel, no Porto.

Nick Willing, 56 anos, realizou, entre outros, os filmes 'O Caçador de Segredos' (1997), 'Alice' (2009), e também séries como 'Olympus' (2015).

O tributo nacional à artista, no sábado, - com a colaboração da NOS Cinemas - terá sessões em Aveiro (Fórum Aveiro), Braga (Braga Parque), Coimbra (Alma Shopping), Figueira da Foz (Foz Plaza), Funchal (Fórum Madeira), Oeiras (Oeiras Parque), Tavira (Gran-Plaza), Vila Real (Nosso Shopping), Viseu (Palácio do Gelo).

O filme tem também apresentações programadas em Castelo Branco (Cineteatro Avenida, hoje), Beja (Teatro Pax Julia, sábado), Vila do Conde (Museu de Arte Contemporânea -- Centro de Memória de Vila do Conde, sábado) e Moita (Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, 26 de abril), sendo depois mostrado um pouco por todo o país.

Para além da estreia do filme, Paula Rego terá uma nova exposição na Casa das Histórias, em Cascais, com 80 obras da artista e do seu marido Victor Willing, algumas das quais serão vistas pela primeira vez em Portugal, e a exibição de um ciclo de 10 filmes escolhidos pela pintora na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, em Lisboa.

O filme será depois editado em DVD pela Midas e exibido na RTP ainda este ano, segundo a distribuidora.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Cirurgia para doentes com distonia realizada no hospital Santo António



Médicos realizaram a primeira estimulação cerebral profunda a uma doente com distonia, doença que provoca movimentos involuntários e que pode ser incapacitante

O Hospital de Santo António, no Porto, anunciou ter realizado a sua primeira cirurgia de estimulação cerebral profunda a uma doente que sofre de distonia, doença que provoca movimentos involuntários e que, em casos extremos, é totalmente incapacitante.

Segundo o neurologista da unidade de saúde, Alexandre Mendes, «este tipo de cirurgia permite melhorar consideravelmente a qualidade de vida dos doentes que sofrem desta patologia, designadamente pacientes com tipos de distonia incapacitantes e sem melhoria com a terapêutica medicamentosa.

A doente sujeita a esta cirurgia, com cerca de 40 anos, tem marcada dificuldade em realizar actividades do quotidiano, como por exemplo comer ou beber, e muitas dificuldades nas tarefas profissionais, que esperamos poder melhorar de forma significativa com esta cirurgia», referiu o especialista.

Alexandre Mendes explicou que a cirurgia consiste na implantação de «um dispositivo neuroestimulador que permite a estimulação eléctrica de estruturas bem definidas do cérebro. Para o tratamento da distonia são estimulados os núcleos que se localizam numa zona profunda de cada um dos hemisférios cerebrais e que participam no controlo da função motora».

A distonia é uma doença do foro neurológico, crónica e incapacitante, que se caracteriza por contracções musculares involuntárias que causam movimentos espasmódicos e posturas anormais.

Pode afectar qualquer parte do corpo, designadamente pernas, braços, tronco, pescoço, face e cordas vocais. Algumas das formas de distonia são muito incapacitantes, podendo tornar o doente dependente de ajuda para as actividades diárias.

A primeira cirurgia realizada em Portugal a um doente com distonia foi efectuada, no Hospital de S. João, no Porto, em Dezembro de 2005.

A nível mundial, estas intervenções cirúrgicas iniciaram-se em 2000.

Apesar de não existirem dados concretos, estima-se que surjam anualmente dez novos casos desta doença em Portugal.