quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Jovem portuguesa com duas novas curtas-metragens produzidas nos EUA



A portuguesa Sara Eustáquio, que se estreou no cinema em 2016 aos 16 anos e que está a estudar Cinema e Vídeo nos Estados Unidos da América, anunciou hoje a produção de duas novas mini curtas-metragens naquele país.
Considerados exercícios técnicos experimentais, ambas foram realizadas no âmbito da sua licenciatura no CalArts e já lhe valeram alguns prémios em festivais internacionais, na maioria de curtas-metragens, de escolas de cinema e de jovens cineastas em início de carreira.
'Creation' é uma carta de despedida e usa um excerto do texto bíblico de Génesis como metáfora, para abordar o desafio da transição para a vida adulta e o que é preciso deixar para trás", explicou Sara Eustáquio à agência Lusa.
Esta 'curta' entrou no circuito de festivais e já foi distinguida com quatro prémios - Melhor Filme de Jovem Realizadora, Melhor Filme Experimental, Melhor Microfilme e Melhor Filme de Estudante de Cinema -, no Global Film Festival, no LA Film Awards e no Lake View International Film Festival, nos Estados Unidos.
Sobre 'Sozinho', a cineasta adiantou que fala "sobre como agarrar em fotografias e tentar contar uma pequena história a partir delas, resultando numa experiência cinematográfica sobre a solidão e a sensação de incompreensão".
'Creation' e 'Sozinho' juntam-se às duas curtas-metagens '4242' e 'Mirror', a primeira das quais produzida por Sara Eustáquio, natural de Torres Vedras, antes da sua partida para os Estados Unidos da América.
"Mirror" foi realizado em agosto de 2016, durante o curso intensivo de Verão em realização cinematográfica que fez na New York Film Academy, em Nova Iorque, e recebeu, entre muitos outros, prémios no Mediterranean Film Festival, em Itália, e no Barcelona Planet Fil Film Awards, que a reconheceu como melhor realizadora.
'4242', com que se estreou no cinema, valeu-lhe 54 prémios e 34 nomeações e foi selecionado oficialmente para competição em 176 festivais internacionais de cinema em 40 países, enquanto 'Mirror' alcançou 82 prémios, 31 nomeações e foi nomeado em 194 festivais internacionais de cinema em 32 países.
Em novembro de 2017, a jovem cineasta recebeu um diploma de reconhecimento atribuído pela cidade de Los Angeles pela sua "dedicação ao desenvolvimento da comunidade local e global, através da arte audiovisual juvenil".
Ainda em 2017, foi distinguida com uma bolsa de estudos da Fundação Walt and Lilly Disney para o seu curso universitário, e recebeu medalha de mérito atribuída pela Câmara Municipal de Torres Vedras, pelo seu percurso cinematográfico.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Curta-metragem de Gonçalo Almeida no festival de Sundance começa hoje



O Festival de Cinema Independente de Sundance começa hoje, nos Estados Unidos, e da programação faz parte, em estreia, o filme 'Thursday Night', do realizador português Gonçalo Almeida. O filme, uma ficção de quase oito minutos, está selecionado para a competição de curtas-metragens, com estreia marcada para sexta-feira.
Inspirado no álbum 'Thursday Afternoon' (1985), de Brian Eno, 'Thursday Night' é um 'thriller' protagonizado por duas cadelas. O filme teve estreia no ano passado no festival Curtas Vila do Conde e foi premiado no Motelx e no Fantastic Fest, no Texas.
O festival de Sundance, considerado um dos mais importantes de cinema independente, decorrerá de 18 a 28 de janeiro na cidade de Park City, no Utah.
Esta é a segunda vez que uma curta-metragem de produção exclusivamente portuguesa é selecionada para a competição.
Gonçalo Almeida, 31 anos, natural de Santiago do Cacém, estudou design gráfico em Portugal e cinema no Reino Unido. Atualmente finaliza a primeira longa-metragem, "Faz-me companhia", rodada no verão passado com Cleia Almeida e Sofia Areosa.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Museu da Música terá exposição permanente em 2018 em Mafra



O Museu Nacional da Música, atualmente em Lisboa, terá a exposição permanente no Palácio Nacional de Mafra, estando ainda por definir um pólo dedicado à etnomusicologia, disse hoje o ministro da Cultura no parlamento. Luís Filipe Castro Mendes revelou que, até ao final do ano, o Museu Nacional da Música será inaugurado no Palácio Nacional de Mafra. "O projeto é para levar para a frente".
O Museu Nacional da Música encontra-se instalado num espaço provisório desde 1994, disponibilizado pelo Metropolitano de Lisboa, na estação do Alto dos Moinhos.
Em Mafra, "não será um pólo barroco". "O Museu da Música terá em Mafra a exposição permanente. Não fazia sentido distinguir o polo barroco com o romântico. O que irá para outro polo é o Arquivo Nacional Sonoro e algumas, nomeadamente o que respeita à etnomusicologia e à música popular portuguesa, irá para um pólo, que não está definido", disse.
No ano passado, o ministro da Cultura tinha anunciado que o museu seria dividido em dois locais Lisboa e Mafra -, indo ao encontro da "política de desconcentração dos museus e monumentos".
Para Mafra, pretendia transferir o espólio do museu entre os séculos XVI e XVIII, incluindo o do barroco sacro e profano, e criar uma ala dedicada às charamelas reais e bandas filarmónicas e militares.
"Certamente que o polo de Mafra estará aberto antes do final de 2018, uma vez que nessa altura teremos de desocupar as atuais instalações do Museu da Música, na estação do Metro do Alto dos Moinhos", justificou na altura.
Na capital chegou a ser anunciada a transferência para o Palácio Foz -- ficaria o espólio associado à música palaciana dos séculos XVIII e XIX, bem como a documentação relativa às escolas, músicos e tertúlias dos séculos XX e XXI e o arquivo sonoro nacional.
O Museu da Música detém "uma das mais ricas coleções da Europa", de acordo com a sua apresentação, contando com cerca de 1.400 instrumentos, entre os quais o cravo de Joaquim José Antunes (1758), o cravo de Pascal Taskin (1782), o piano Boisselot, que o compositor e pianista Franz Liszt trouxe a Lisboa, em 1845, e o violoncelo de Antonio Stradivari, que pertenceu ao rei D. Luís.
Espólios documentais, acervos fonográficos e iconográficos, como os de Alfredo Keil, autor do Hino Nacional, fazem igualmente parte do Museu da Música.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Marco Martins estreia hoje a peça 'Actores' em Lisboa

'Actores', a peça coletiva encenada por Marco Martins, que expõe as fragilidades, a versatilidade e labor da representação, estreia-se hoje no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa. Em cena, em Lisboa, até ao dia 28, 'Actores' é o resultado de um trabalho de escrita dos atores Bruno Nogueira, Luísa Cruz, Miguel Guilherme, Nuno Lopes e Rita Cabaço, sobre a vida de um ator, a partir das experiências pessoais de cada um dos intérpretes.
Depois de Lisboa, a peça seguirá para o Porto, no Teatro Nacional de São João, de 7 a 10 e fevereiro, e que está esgotado. Nos dias 24 e 25 de fevereiro, será apresentada em Ovar.
"Apeteceu-me fazer este género de olhar retrospetivo sobre os percursos de cada ator. Achei bonito essa ideia de não ir buscar os momentos mais marcantes, não queria um 'best of', mas os momentos que para eles tinham sido mais significativos", explicou Marco Martins à agência Lusa.
Marco Martins, que está presente em cena no papel de encenador, quis explorar essa "máquina emocional que é o ator", pegando na memória de cada um deles e transformando-a em ficção.
A atriz Luísa Cruz coassinou o trabalho criativo de "Actores", mas acabou por ter de abandonar o projeto por exaustão, por acumular outros trabalhos, uma situação que Marco Martins diz ser representativa do que é ser ator em Portugal.
Em palco, no lugar de Luísa Cruz e a contar as histórias dela, surge a atriz Carolina Amaral.
"Fazemos um teatro de grande qualidade em Portugal e em condições muito difíceis, que não se comparam com os outros países europeus, pelo menos", opinou Marco Martins elogiando o "caráter autoral e identitário muito forte", como no cinema português.

Mas do lado da representação, "os atores são muito, vítimas da precariedade do trabalho".

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A noite negra dos Globos de Ouro foi mesmo das mulheres

A 75ª cerimónia dos Globos de Ouro prometia ser diferente, a começar pelo dress code. Nomeados e convidados vestiram-se de preto em homenagem a todas as mulheres que, nos últimos meses de 2017, decidiram quebrar o silêncio e partilhar as suas histórias de assédio sexual em Hollywood. A iniciativa pintou o hotel Beverly Hilton, em Beverly Hills, de negro e, ao longo da cerimónia, foram vários os vencedores e vencedoras que chamaram a atenção para a importância de dar voz a quem geralmente não a tem. Reese Witherspoon — que subiu ao palco do International Ballroom juntamente com o elenco de “Big Little Lies” para receber o prémio de “Melhor Série” — garantiu que as histórias daqueles foram vítima de abuso ou assédio vão continuar a ser contadas. “Nós conseguimos ver-vos.”
A mensagem ganha outra expressão quando olhamos para os números da 75ª cerimónia dos Globos de Ouro: as produções mais premiadas — tanto na televisão como no cinema — são protagonizadas por mulheres. A série “Big Little Lies”, que tinha mais nomeações, foi a mais galardoada, arrecadando Globos de Ouro pelas categorias de “Melhor Mini-Série”, “Melhor Atriz” numa mini-série, “Melhor Ator Secundário” e Melhor Atriz Secundária”. “The Handmaid’s Tale” e “The Marvelous Mrs. Maisel”, que também têm mulheres nos papéis principais, receberam dois galardões cada uma. No cinema, o grande vencedor foi “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”, filme protagonizado por Frances McDormand, que levou para casa o prémio de “Melhor Atriz”. A noite foi mesmo das mulheres.
A primeira de muitas a subir ao palco foi Nicole Kidman, que venceu na categoria de “Melhor Atriz” pelo papel na mini-série “Big Little Lies”, produzida pela HBO. Descrevendo o galardão como um símbolo “do poder das mulheres”, Kidman agradeceu a todo o elenco — constituído maioritariamente por mulheres –, mas sobretudo à colega e amiga Reese Witherspoon, uma das produtoras executivas, juntamente com a atriz australiana. A dedicatória, porém, foi para outra mulher — a mãe, Janelle Kidman, “uma defensora dos direitos das mulheres”. “É por causa dela que estou aqui”, disse a atriz australiana “Acredito e espero que podemos mudar [o mundo] com as histórias que contamos e com a forma como as contamos. Vamos manter a conversa viva.” O ator Alexander Skarsgar, que interpreta o marido da personagem de Kidman, Perry Wright, também levou um Globo de Ouro para casa. Skarsgar — que nunca tinha sido nomeado para os prémios atribuídos pela Hollywood Foreign Press Association — venceu na categoria de “Melhor Ator Secundário” numa série e não se esqueceu de agradecer à protagonista, com quem trabalha mais de perto, mas também ao “grupo extraordinário de mulheres” com quem tem “a honra de trabalhar”. Uma dessas mulheres é Laura Dern, outra galardoada desta noite de domingo. A atriz de “Big Little Lies” ganhou na categoria de “Melhor Atriz Secundária”, e aproveitou a oportunidade para agradecer a David E. Kelley — “o nosso herói” –, criador da série.

Kelley “deu-ma a mulher mais revoltante, complicada e uma mãe aterrorizada”, afirmou a atriz, que interpreta o papel de Renata Klein. “Aterrorizada porque a sua filha foi abusada e vítima de bullying e ela tinha demasiado medo de falar. Muitas de nós fomos ensinadas a não falar. Era uma cultura de silêncio”, defendeu, apelando a que todas “as sobreviventes” recebam o apoio necessário e que a justiça continue a ser promovida. Além disso, Dern pediu que “ensinemos os nossos filhos que falar sem ter medo das consequências é a nossa nova estrela do norte.”

Os três atores voltaram a subir ao palco, juntamente com o resto do elenco, para receber o prémio de “Melhor Mini-Série”. Depois de dizer algumas palavras, David E. Kelley passou o microfone a Reese Witherspoon, uma das produtoras de “Big Little Lies”, que descreveu a produção da HBO como uma série que mostra que “a vida que apresentamos ao mundo” é por vezes “muito diferente” do que se passa dentro de quatro paredes. “Por isso, quero agradecer a toda a gente que quebrou o silêncio este ano e falou sobre abuso e assédio”, afirmou a atriz. “Vocês são tão corajosos! Espero que sejam feitas outras séries como esta, para que as pessoas que foram silenciadas saibam: nós conseguimos ver-vos e vamos continuar a contar as vossas histórias.”

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

E a Palavra do Ano 2017 é …



"Incêndios" alcançou 37% dos votos, impondo-se às restantes nove candidatas, foi hoje anunciado na Biblioteca Municipal Ary dos Santos, em Sacavém, no concelho de Loures, nos arredores de Lisboa.
A palavra "incêndios" foi escolhida por causa dos "sucessivos incêndios" que se fizeram sentir durante o ano passado em todo o país. O ano de 2017 "foi um dos mais trágicos de sempre, pela enorme quantidade de vítimas e pela dimensão da área atingida", justificou a Porto Editora, quando no início de dezembro último apresentou as dez palavras candidatas.
No 2.º lugar, com 20% dos votos, ficou o vocábulo "afeto" e, no 3.º, "floresta", com 14% das escolhas.
O 4.º lugar é ocupado pela palavra "vencedor", com 08% dos votos, um termo escolhido por, em maio do ano passado, "pela primeira vez, e de forma surpreendente", Portugal ter sido o país vencedor do Festival Eurovisão da Canção, "sendo de sublinhar o entusiasmo e o carinho que o cantor Salvador Sobral despertou junto dos portugueses".
No 5.º posto, ex-aequo - com 05% cada -, ficaram os termos "crescimento", uma palavra que "há bastante tempo não era usada para definir o comportamento da economia portuguesa, facto que foi notório ao longo do ano", e "cativação", palavra que se tornou muito visível e "algo controversa, na estratégia orçamental do Governo", no âmbito do "objetivo de manter o défice abaixo dos valores definidos com a União Europeia".
No 7.º lugar, ficou "desertificação", que arrecadou 04% das intenções, e, no 8.º, ex-aequo, com 03% das intenções de voto, cada, ficaram os termos "gentrificação" e "peregrino". No último lugar ficou "independentista" com apenas 01%.
Esta foi a nona eleição da Palavra do Ano. As palavras eleitas nas edições anteriores foram "esmiuçar" (2009), "vuvuzela" (2010), "austeridade" (2011), "entroikado" (2012), "bombeiro" (2013), "corrupção" (2014), "refugiado" (2015) e "gerigonça" (2016).

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

'Star Wars' entra em 2018 no 1.º lugar de receitas de bilheteira nos EUA



O último filme da saga 'Guerra das Estrelas (Star Wars)' entrou no ano de 2018 à frente das receitas de bilheteira nos Estados Unidos, o que transformou 2017 no segundo melhor ano de sempre dos estúdios Disney.
'Os Últimos Jedi', oitavo filme da saga galáctica de George Lucas, gerou 66,8 milhões de dólares (55,39 milhões de euros) de sexta-feira da semana passada a segunda-feira.
Depois da estreia nas salas de cinema da América do norte, há três semanas, o filme está na primeira posição em receitas de bilheteira e acumulou já 532 milhões de dólares (441 milhões de euros).
No mundo, o derradeiro filme da saga - igualmente número um na Europa, de acordo com a Disney, que anunciou que a produção será estreada na China na próxima sexta-feira - acumula mais de mil milhões de dólares (8,3 milhões de euros) no total.
Avatar (2009) é o filme que ainda mantém o recorde de receitas de bilheteira mundiais, com 2,7 mil milhões de dólares (2,24 mil milhões de euros).
Na América do Norte, 'A Guerra das Estrelas' ameaça o primeiro lugar das melhores estreias, em 2017, com 'A Bela e o Monstro', segundo a Disney.
O estúdio é o único a ultrapassar os 5 mil milhões (4,5 mil milhões de euros) de receita global, nos últimos três anos.