"A insuficiência cardíaca é uma síndrome com elevada
prevalência, morbilidade e mortalidade, que representa uma sobrecarga económica
e social de grande magnitude. Porém, em Portugal tem sido alvo de pouca
atenção", avisa o grupo de especialistas que elaborou um documento de
consenso sobre a doença.
Cândida Fonseca, médica que coordenou o documento, sublinhou
à agência Lusa que "há u ma necessidade urgente de priorizar a
insuficiência cardíaca na agenda da saúde".A ideia não passa por pedir
mais recursos ou mais verbas, mas antes realocar os que existem, de modo a
diagnosticar mais precocemente a doença, nomeadamente nos cuidados de saúde
primários.
"Pretendemos até poupar recursos. O facto de não
estarmos despertos para o diagnóstico precoce, não termos alguns meios de
diagnóstico disponíveis e comparticipados nos cuidados primários faz com que a
doença seja tardiamente diagnosticada. Muitas vezes é-o quando o doente vai à
urgência e já está muito mal, descompensado. E é onde se gasta a maior parte do
dinheiro com insuficiência cardíaca. A ideia é poupar com internamentos,
prevenindo-os. Investir na prevenção", resumiu Cândida Fonseca.
Aliás, dados nacionais de 2015 mostram que o número de
internamentos por insuficiência cardíaca cresceu 33% em oito anos, de 2004 a
2012.
A médica explica que a doença tem um quadro clínico pouco
específico (que passa pela falta de ar ou cansaço), que é comum a várias outras
doenças e pode acontecer que nem se desenvolvam sintomas.
Muitas vezes, o diagnóstico faz-se por exclusão. Há
inclusivamente uma análise de sangue que permite excluir a doença, mas não está
disponível de forma comparticipada nos cuidados de saúde primários.
Assim, os peritos pretendem que o diagnóstico seja melhorado
através da disponibilização nos centros de saúde de meios comparticipados para
detetar ou excluir a patologia.
Como medidas para tornar prioritária a insuficiência
cardíaca, os especialistas querem que se crie e aplique um plano de formação de
profissionais de saúde, nomeadamente de médicos e enfermeiros, e que se crie um
boletim para a doença que permita um acompanhamento mais adequado dos doentes,
facilitando o acesso a todos os que participam na assistência.
É ainda sugerido que a insuficiência cardíaca seja
considerada uma prioridade no Programa Nacional das Doenças
Cérebro-Cardiovasculares e propõe-se o lançamento de uma campanha de informação
e sensibilização junto dos cidadãos.
Os peritos lembram ainda que em Portugal não existe um
algoritmo de tratamento padronizado e sistematicamente aplicado para a
insuficiência cardíaca.
A insuficiência cardíaca define-se essencialmente como uma
síndrome causada por uma anomalia da estrutura ou da função cardíaca,
conduzindo a um débito sanguíneo inadequado às necessidades do organismo.
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