quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Museu de Matosinhos acolhe retrospetiva do pintor João Martins da Costa



O Museu Quinta de Santiago, em Matosinhos, acolhe a partir de sábado obras do pintor João Martins da Costa, incluindo aquela em que o artista, ainda estudante, registou o naufrágio de quatro traineiras junto à barra de Leixões.

'Mar Sagrado -- Tragédia marítima de 2 de dezembro de 1947' foi o nome atribuído à tela onde Martins da Costa registou a memória daquele dia em que 152 pescadores perderam a vida, à vista dos que estavam em terra, lembra hoje a Câmara de Matosinhos em comunicado.

De acordo com a autarquia, está é uma das cerca de 40 obras que compõem a exposição 'Martins da Costa... daquilo que fica', que abrange cerca de cinco décadas da produção do artista e é inaugurada no sábado, às 17:00, no Museu Quinta de Santiago, onde fica até 28 de janeiro.

"Com vocação retrospectiva, a exposição abarca a década de 1940 e o final do século XX" e "reúne obras dos acervos do Museu Nacional de Soares dos Reis, do Museu da Faculdade de Belas Artes do Porto, do Museu Municipal de Coimbra, da Câmara Municipal de Matosinhos e de alguns colecionadores particulares".

A exposição inclui trabalhos de pintura e desenho, nomeadamente "paisagens, auto-retratos, naturezas mortas e episódios bíblicos".

"Um dos acontecimentos mais trágicos no ano de 1947 ocorreu na praia de Matosinhos. Quatro traineiras naufragaram quando se aproximavam da barra de Leixões e, à vista de todos os que desesperavam em terra, afundaram-se nas vagas e arrastaram consigo a vida de 152 pescadores", começa por recordar a autarquia numa nota de imprensa.

A câmara acrescenta que "a memória daquele dia aziago de dezembro de há 70 anos ficou registada em fotografias e também na arte", já que "João Martins da Costa, então um estudante do último ano do curso superior de Pintura da Escola de Belas Artes do Porto, fixou-o na tela que apresentou na tese final de mestrado e que havia de ficar intimamente ligada à memória e ao património artístico de Matosinhos".



Nascido em Coimbra em 1921, João Martins da Costa viveu alguns anos em Matosinhos e conquistou distinções como o Prémio António Carneiro (1948) e o Prémio Henrique Pousão (1950).

Bolseiro do Governo Italiano e do Instituto de Alta Cultura, estudou nas escolas de Belas Artes de Roma, Florença e Ravena, "onde aperfeiçoou a técnica de pintura mural que lhe permitiu deixar trabalho em vários edifícios emblemáticos, como o Palácio da Justiça do Porto, a Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, o Café Embaixador e a Embaixada de Portugal em Roma", descreve a Câmara de Matosinhos.

Sem comentários:

Enviar um comentário